"Marrocos é seguro?" é a pergunta que mais ouvimos de quem prepara a primeira viagem, quase sempre logo antes de "quanto frio faz à noite no deserto?". Vivemos e trabalhamos cá e fazemos estas estradas todas as semanas. Este guia é a nossa resposta honesta: o que realmente corre mal aos visitantes, como evitá-lo e onde a ajuda de alguém local faz mais diferença.
Resposta rápida
Para a maioria dos viajantes, sim: Marrocos é um país acolhedor, e os problemas mais comuns são a insistência dos vendedores, os preços inflacionados e os carteiristas, não o perigo. Convém usar o mesmo bom senso de qualquer grande cidade, ter cuidado redobrado na estrada, sobretudo à noite, e consultar antes da partida os conselhos aos viajantes atualizados do Ministério dos Negócios Estrangeiros do seu país.
Marrocos é seguro para turistas? O retrato real
O turismo tem um peso enorme aqui, e isso nota-se: polícia turística nas grandes medinas, vigilantes nos principais monumentos, funcionários de riads e hotéis que conhecem cada cara que entra. Na nossa experiência, os marroquinos ajudam depressa quem se perde, e a maioria dos viajantes regressa com histórias de hospitalidade e não de problemas.
Isto não quer dizer que nunca aconteça nada. Desaparecem telemóveis no meio da multidão, os preços sobem e um desconhecido "muito prestável" pode esperar uma gorjeta. Como em qualquer destino, a situação pode mudar: antes de reservar, vale a pena ler as recomendações oficiais, atualizadas com muito mais frequência do que qualquer artigo, incluindo este.
Medinas: insistência, falsos guias e truques habituais
As cidades antigas muralhadas de Marraquexe e Fez são onde quem chega pela primeira vez se sente mais desconfortável. Ruelas estreitas, poucas placas e uma oferta de ajuda a cada poucos minutos. Quase nada é perigoso; parte serve apenas para gastar dinheiro. Os esquemas repetem-se:
- "Por ali está fechado." Um rapaz simpático garante que a rua está cortada ou que a praça fica "por aqui" e leva o visitante a uma loja ou a uma curtumaria onde se espera pagamento. Basta agradecer e seguir caminho.
- Guias não oficiais. Os guias licenciados têm um cartão oficial e combinam o preço antes. O melhor é pedir ao riad que reserve um, em vez de seguir o primeiro que se oferece.
- Fotografias com animais e artistas. Macacos, encantadores de serpentes e aguadeiros na Jemaa el-Fna pedem gorjeta por cada fotografia, por vezes alta. Combine o valor antes ou guarde a câmara.
- Hena que não é hena. Algumas tatuadoras agarram a mão antes de haver resposta. A "hena preta" pode conter produtos que irritam a pele: recuse com firmeza e retire a mão.
Os carteiristas aproveitam a multidão nas praças e nos souks ao fim da tarde. Leve uma mala com fecho a tiracolo, à frente, nunca o telemóvel no bolso de trás, e deixe o passaporte no cofre do alojamento, com uma fotografia guardada no telemóvel.
Dois hábitos ajudam mais do que tudo. Descarregue um mapa offline antes de sair, para caminhar com segurança em vez de parecer perdido. E guarde a localização do riad: à noite, as ruelas parecem todas iguais.
Dinheiro, preços e regatear
É muito mais provável pagar a mais do que ser roubado. Nos souks, regatear é normal e ninguém se ofende. Decida quanto vale um objeto antes de perguntar, comece bem abaixo do primeiro preço e mantenha a boa disposição. Se for embora e o vendedor o deixar ir, a oferta era baixa demais; também não faz mal.
Levante dinheiro de dia, em multibancos dentro de bancos ou zonas comerciais, tenha notas pequenas para táxis e gorjetas e conte sempre o troco. Os cartões funcionam em muitos hotéis e lojas maiores, mas no campo e no deserto quase tudo se paga em numerário.
Mulheres em viagem e o que vestir
Muitas mulheres percorrem Marrocos sozinhas ou a dois e fazem uma boa viagem. A queixa mais frequente é a atenção verbal: comentários, piropos, alguém que caminha ao lado durante uns minutos, sobretudo nas medinas mais movimentadas. Na maior parte dos casos cansa mais do que assusta, e diminui muito na companhia de um guia, de um motorista ou de um grupo.
- Ignorar, sem dar conversa. Um "la, shukran" (não, obrigada) firme e continuar a andar resulta melhor do que discutir.
- Vestir a pensar no lugar. Ombros e joelhos tapados chamam muito menos a atenção nas cidades e aldeias. Um lenço leve serve para o sol, o pó e as mesquitas.
- Escolher bem o caminho à noite. As praças animadas não são problema; as ruelas vazias a altas horas, melhor com companhia. Os riads costumam mandar alguém buscar a hóspede.
- Confiar no instinto. Se alguém não desiste, entre numa loja, num café ou na receção de um hotel e peça ajuda. As pessoas intervêm.
Os homens também devem vestir-se com discrição: calções compridos não são problema na cidade, mas a t-shirt fica vestida fora da praia e da piscina.
Deslocações: táxis, comboios e conduzir sozinho
Os táxis urbanos são baratos e, em geral, seguros. Peça que liguem o taxímetro ou combine o preço antes de entrar; à noite e a partir do aeroporto, terá quase sempre de o combinar. Os comboios entre as grandes cidades são confortáveis e uma boa opção. Os autocarros de longo curso servem para orçamentos apertados, mas os objetos de valor devem ir consigo e não no porão.
Em Marrocos, o risco verdadeiro está mais na estrada do que na criminalidade. Para quem pensa alugar carro, convém saber o que esperar:
- Evite conduzir à noite fora das cidades. Bicicletas, carroças, burros e peões circulam muitas vezes sem luz, e alguns camiões também.
- Os passos de montanha pedem paciência. O Tizi n'Tichka atravessa o Alto Atlas a cerca de 2260 m, com curvas longas, camiões lentos e, no inverno, neve e cortes ocasionais.
- Conte com operações stop e radares. Abrande em cada controlo, tenha à mão carta de condução, passaporte e documentos do carro e respeite os limites nas aldeias.
- Nada de areia. O carro alugado fica no alcatrão; dunas e pistas são para 4x4 com motoristas locais.
O deserto do Sara é seguro?
As zonas de deserto que os viajantes visitam, como o Erg Chebbi junto a Merzouga ou a região de Zagora, estão muito habituadas ao turismo, com acampamentos, casas de hóspedes e guias locais que conhecem cada duna. Os riscos principais são naturais e fáceis de gerir:
- Calor e sol. Em julho e agosto, os dias passam muitas vezes dos 40 °C. Beba com frequência, use chapéu e deixe as subidas às dunas para o início da manhã e o fim da tarde.
- Noites frias. De novembro a fevereiro, a temperatura pode descer perto de 0 °C. Leve uma camada quente; os acampamentos têm mantas grossas.
- Perder-se. As dunas são muito parecidas, sobretudo no escuro. Não se afaste sozinho à noite; para ver as estrelas, vá com o guia ou avise no acampamento.
- Pormenores. Sacuda o calçado de manhã e use uma lanterna para circular entre as tendas.
Nas nossas excursões, o passeio de camelo até ao acampamento dura cerca de 1 hora, com um cameleiro a guiar os animais a pé durante todo o percurso. O nosso guia de Merzouga e das dunas do Erg Chebbi descreve a região em pormenor, e o guia sobre como dormir no deserto em Marrocos explica o que levar para as temperaturas.
Saúde e cuidados do dia a dia
- Água: a maioria dos viajantes bebe água engarrafada ou filtrada e evita gelo em sítios simples. Uma garrafa reutilizável reduz o plástico.
- Comida: as bancas com muito movimento são, em regra, melhor aposta do que as vazias. Descasque a fruta e dê ao estômago um ou dois dias para se habituar.
- Farmácias: há em todas as cidades, com a cruz verde, e os farmacêuticos falam muitas vezes francês.
- Seguro de viagem: viaje com uma apólice que cubra despesas médicas e, se for caso disso, atividades como o balão ou as moto-quatro.
- Números de emergência: guarde o 19 (polícia) e o 15 (ambulância), além do contacto do alojamento.
Porque é que um motorista local facilita tudo
Quase todos os pontos de tensão acima desaparecem com alguém da terra ao lado. Um motorista sabe que estradas evitar à noite, quando é provável o Tichka fechar, onde parar para um almoço limpo e qual é um preço justo. Nas medinas, os angariadores perdem o interesse assim que se chega com um local. E se algo correr mal (uma mala perdida, uma indisposição, um furo no meio do nada), há alguém que fala a língua e sabe a quem ligar.
É essa a ideia da nossa excursão de 3 dias a Merzouga a partir de Marraquexe e do percurso de Marraquexe a Fez pelo deserto: um motorista local para as estradas longas e um acampamento gerido por quem vive junto às dunas. Para quem prefere definir o próprio ritmo, um motorista privado em Marrocos funciona da mesma forma, só para o seu grupo. Pouco tempo? O passeio de um dia ao deserto de Agafay oferece um pôr do sol no deserto de pedra sem dormir fora de Marraquexe, e a lista completa de tours no deserto de Marrocos mostra todos os percursos.
Segurança em Marrocos: perguntas frequentes
Marraquexe é segura à noite?
A Jemaa el-Fna e as ruas principais continuam cheias até tarde e transmitem animação, não perigo. Atenção aos bolsos na multidão e, nas ruelas sossegadas a altas horas, convém andar acompanhado ou pedir ao riad que mande alguém.
Marrocos é seguro para mulheres que viajam sozinhas?
Muitas mulheres viajam sozinhas pelo país. Conte com alguns comentários indesejados nas zonas movimentadas, vista-se com discrição, ignore em vez de responder e pondere um guia ou um grupo pequeno para as medinas e o deserto, onde a atenção praticamente desaparece.
É seguro conduzir em Marrocos?
As estradas principais estão, em geral, em bom estado, mas a forma de conduzir, os veículos sem luzes e os passos de montanha exigem atenção. Evite conduzir à noite fora das cidades, abrande nos controlos e não leve o carro alugado para pistas, ou viaje com um motorista local.
Pode-se beber água da torneira?
Muitos marroquinos bebem, mas a maioria dos visitantes prefere água engarrafada ou filtrada para evitar problemas de estômago, sobretudo nos primeiros dias. É barata e vende-se em todo o lado.
É seguro dormir num acampamento no deserto?
Sim. Os acampamentos têm pessoal durante toda a noite, gente que vive na zona. Os nossos acampamentos standard têm eletricidade e casas de banho partilhadas; os de luxo acrescentam casa de banho privada com água quente, tomadas para carregar e Wi-Fi. Leve uma lanterna para circular entre as tendas.