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Merzouga, Marrocos: guia das dunas de Erg Chebbi, como chegar e o que fazer

Última atualização: outubro de 2026 · Texto de Hassan, fundador da Morocco Sahara Excursions

Fotografia 1 — a vista do topo de uma grande duna sobre a aldeia de Hassi Labied e as suas palmeiras
alt: Vista de uma duna alta de Erg Chebbi sobre a aldeia de Hassi Labied e as palmeiras, em Merzouga, Marrocos

Quando se pensa no Sara em Marrocos, a imagem que surge é quase sempre a de Merzouga: uma muralha de areia alaranjada que se ergue de repente numa planície plana, negra e pedregosa. Este guia reúne o essencial para uma viagem a Merzouga, em Marrocos, e às dunas de Erg Chebbi: onde ficam, como lá chegar, quantas noites reservar e o que fazer depois do passeio de dromedário.

Onde fica Merzouga

Merzouga é uma pequena aldeia no extremo sudeste de Marrocos, no Tafilalet, a antiga região de oásis do vale do Ziz onde chegavam as caravanas que atravessavam o Sara. Fica na orla ocidental de Erg Chebbi: a areia começa onde acabam as últimas casas. Outros povoados seguem a mesma linha, como Hassi Labied a norte e Khamlia a sul.

Para lá das dunas estende-se a zona de fronteira com a Argélia. A fronteira terrestre entre os dois países está fechada, por isso, para quem viaja, Merzouga é o fim da estrada. A vila com mercado mais próxima é Rissani, a cerca de 40 km; Erfoud fica um pouco mais a norte, na mesma estrada.

O tamanho das dunas

Erg Chebbi é um erg, ou seja, um mar de areia moldado pelo vento, e não um punhado de dunas soltas. Estende-se por mais de 20 km de norte a sul e tem poucos quilómetros de largura. As dunas mais altas elevam-se cerca de 150 metros acima da planície, e as cristas maiores estão do lado oeste, junto às aldeias.

A subida custa mais do que parece: o melhor é seguir pela crista e não pela encosta aberta, e contar com 30 a 45 minutos. A cor muda ao longo do dia, do tom claro do meio-dia para o laranja e quase para o vermelho mesmo antes do pôr do sol.

Como chegar a Merzouga

A partir de Marraquexe

São cerca de 560 km. A estrada atravessa o Alto Atlas pelo passo de Tizi n'Tichka (cerca de 2260 m) e segue pela terra das kasbahs: Ouarzazate, o vale do Dades e as gargantas do Todra. É possível fazer tudo num só dia muito longo, mas quase toda a gente divide o caminho em dois, com uma noite no vale do Dades. É o que faz a nossa excursão a Merzouga de 3 dias; a excursão ao deserto de Marrocos de 4 dias acrescenta mais uma noite na estrada, com etapas mais curtas.

A partir de Fez

Fez fica mais perto, a cerca de 470 km. O percurso passa por Ifrane, pela floresta de cedros de Azrou e os seus macacos-berberes, por Midelt e pelas gargantas do Ziz, e desce até Errachidia e Erfoud: um dia inteiro de carro, mas apenas um. A excursão ao deserto a partir de Fez é de ida e volta; a viagem de Fez a Marraquexe pelo deserto atravessa o país com uma noite nas dunas, e a de Marraquexe a Fez pelo deserto faz o mesmo percurso no sentido contrário.

De autocarro ou de avião

Há autocarros de longo curso, incluindo noturnos, entre Marraquexe e Fez e as localidades de Rissani e Merzouga. São baratos, mas pouco se vê da paisagem e continua a ser preciso um transfer até ao acampamento. O aeroporto mais próximo é o de Errachidia, a cerca de duas horas de carro; os voos são poucos, por isso convém confirmar os horários antes de mais nada.

Quanto tempo ficar

Uma noite é o mínimo, e é o que inclui a maioria das excursões: chega-se à tarde, segue-se para o acampamento a tempo do pôr do sol e parte-se depois do nascer do sol. Com duas noites ganha-se um dia inteiro pelo meio para Khamlia, Rissani e uma volta ao erg, ou simplesmente para uma tarde calma à sombra. Uma noite no acampamento e outra numa casa de hóspedes da aldeia é uma boa combinação.

O que fazer em Merzouga

Passeio de dromedário pelas dunas

A forma clássica de chegar ao acampamento: nas nossas excursões, o passeio dura cerca de 1 hora. Os dromedários andam devagar; segure-se bem quando o animal se levanta, incline-se para trás a subir uma duna e para a frente a descer. Caminhar ao lado da caravana é igualmente bom.

Nascer e pôr do sol numa duna

Suba antes de o dia nascer e veja a sombra da duna a encolher sobre a areia. Leve um agasalho: depois do pôr do sol a areia arrefece depressa.

Sandboard

Acampamentos e casas de hóspedes costumam ter pranchas. A descida é rápida e a subida lenta: duas ou três descidas chegam. O final da tarde, quando a areia já não queima, é a melhor altura.

Fotografia 2 — uma casa gnawa na aldeia de Khamlia com os instrumentos dos músicos: castanholas de ferro qraqeb, um guembri e um tambor encostados a uma parede de terra
alt: Instrumentos de músicos gnawa numa casa da aldeia de Khamlia, perto de Merzouga

Música gnawa em Khamlia

Khamlia, a poucos quilómetros a sul de Merzouga, é a terra de uma comunidade gnawa cujos antepassados vieram da África subsariana. As famílias recebem os visitantes com chá para ouvirem a sua música: castanholas de ferro, tambores e o guembri de três cordas. É habitual deixar uma contribuição aos músicos.

Fotografia 3 — a porta em arco decorada do ksar de Rissani na luz do fim da tarde
alt: Porta em arco do ksar de Rissani, na região do Tafilalet

O mercado e o ksar de Rissani

Rissani é o coração histórico do Tafilalet, junto às ruínas de Sijilmassa, a cidade caravaneira medieval. Nos dias de mercado, o souk enche-se de tâmaras, especiarias e gado, com um parque só para os burros. Atravesse a porta em arco para entrar no velho ksar e pare no mausoléu de Moulay Ali Cherif, ligado às origens da dinastia que reina em Marrocos.

Fósseis em Erfoud

As colinas à volta de Erfoud estão cheias de fósseis marinhos — amonites, ortoceras, trilobites — do tempo em que este deserto era mar. As oficinas cortam e polem a pedra e mostram como trabalham. Cuidado com os fósseis vendidos à beira da estrada: nem todos são verdadeiros.

Dayet Srji, o lago sazonal

Depois de um inverno chuvoso, forma-se um lago pouco fundo na planície a oeste das dunas, onde param aves migratórias, por vezes flamingos. Nos anos secos é apenas uma bacia clara e gretada. Vale a pena perguntar na aldeia antes de ir.

Fotografia 5 — marcas de pneus de um 4x4 a contornar em curva a base das dunas, vistas de uma pequena elevação
alt: Marcas de um 4x4 a contornar a base das dunas de Erg Chebbi, em Merzouga

Volta às dunas em 4x4

Meio dia ou um dia inteiro à volta de Erg Chebbi em 4x4 liga Khamlia, o leito do lago e as famílias nómadas da planície, com vistas largas sobre a areia vista de fora. Com carro alugado, o melhor é não sair do alcatrão.

Onde dormir: acampamento ou casa de hóspedes

Um acampamento no meio das dunas é a razão pela qual quase toda a gente vem. As tendas rodeiam um espaço central para o jantar e a música e, sem as luzes da aldeia, o céu fica mesmo negro. Nas nossas excursões, a noite é passada num acampamento standard, com eletricidade e casas de banho partilhadas, mas sem Wi-Fi; com suplemento, pode optar por um acampamento de luxo, com casa de banho privativa com água quente, tomadas para carregar o telemóvel e Wi-Fi. O jantar e o pequeno-almoço estão incluídos.

Em Merzouga e Hassi Labied há casas de hóspedes e pequenos hotéis em estilo kasbah junto às dunas. Oferecem um bom duche, uma noite mais sossegada e, muitas vezes, um terraço virado para a areia. Para saber como é realmente a noite no acampamento — temperaturas, o que levar, quanto frio faz — leia o nosso guia sobre dormir no deserto em Marrocos.

Fotografia 4 — rasto de estrelas em longa exposição a girar sobre as dunas numa noite sem lua
alt: Rasto de estrelas sobre as dunas de Erg Chebbi à noite, perto de Merzouga

Melhor época para ir

De março a maio e de setembro a novembro os dias são quentes e as noites amenas. De novembro a fevereiro há sol e céu limpo, mas à noite o deserto pode descer até perto de 0 °C: o acampamento precisa de bons cobertores e o viajante de um casaco a sério. Em julho e agosto as tardes passam muitas vezes dos 40 °C, por isso é melhor marcar as atividades para o início da manhã e o fim da tarde. Na primavera pode soprar um vento forte que levanta a areia; convém ter um lenço à mão.

Respeito e sustentabilidade

  • A água é escassa. No acampamento chega de camião ou de poços fundos. Tome duches curtos e encha sempre a mesma garrafa.
  • Leve o lixo consigo. O plástico fica anos na areia; deposite-o na aldeia.
  • Peça licença antes de fotografar pessoas. Sobretudo mulheres e crianças, e aceite um não.
  • Baixe o volume. O som chega longe; motas-quatro e buggies devem ficar longe dos acampamentos e das aldeias.
  • Compre na região. As tâmaras de Rissani ou um concerto gnawa em Khamlia deixam o dinheiro na zona.

Merzouga, Marrocos: perguntas frequentes

Erg Chebbi faz parte do Sara?

Sim. Erg Chebbi é um dos ergs do Sara e, com Erg Chegaga, mais a oeste, um dos dois grandes campos de dunas de Marrocos.

É possível ir a Merzouga sem excursão organizada?

Sim. Pode ir de carro ou de autocarro e reservar o acampamento diretamente. Uma excursão poupa sobretudo a longa viagem e a logística do transfer.

É preciso dinheiro vivo em Merzouga?

Convém levar algum. Pequenas casas de hóspedes, músicos e bancas do mercado aceitam muitas vezes só numerário, e as caixas automáticas são mais fiáveis em Rissani e Erfoud do que na aldeia.

Há rede de telemóvel nas dunas?

Normalmente há alguma perto da aldeia e nas cristas altas, e muito pouca nas depressões. Descarregue mapas offline antes de partir.

Merzouga é uma boa viagem para fazer com crianças?

As crianças costumam adorar a areia, os dromedários e o sandboard. O mais difícil é a estrada: escolha um percurso com etapas mais curtas, como o de 4 dias a partir de Marraquexe, ou parta de Fez.

A planear Merzouga? Diga-nos de onde parte e quantos dias tem.

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